O poder do comércio ilegal

Um PIB igual ao da China é movimentado com a falsificação de produtos

Por Fernando Oliveira*

O comércio ilegal é a produção, exportação, importação, venda e compra de bens fora da legislação de uma jurisdição específica. Ele pode acontecer das seguintes formas: Contrabando, roubo de cargas, pirataria e falsificação. É sobre falsificação que vamos tratar neste artigo.

A falsificação é um problema global que prejudica boa parte de diversos setores da indústria e tem previsão de crescimento de 3% ao ano até 2020. As indústrias de cosméticos, bebidas e cigarros estão entre os principais alvos dos falsificadores.

Segundo a consultoria Euromonitor, em um artigo assinado por Philip Buchanan e Lourdes Chavarria, em 2014 a falsificação faturou no mundo o equivalente ao PIB da China, ou seja, US$ 12 Trilhões. A Organização Mundial do Comércio (OMC) diz que uma marca que tem problemas de falsificação perde em média 20% do seu mercado para ela.

A falsificação de vinhos tem séculos de história, e a cada ano o número de vítimas aumenta. No início os vinhos eram vendidos em garrafas de barro idênticas entre um produtor e outro, e isso facilitava a falsificação. Nos dias de hoje as embalagens estão mais sofisticadas, mas mesmo assim continuam sendo alvo de falsificadores. “Em 2016, autoridades italianas confiscaram 9 mil garrafas de Moët & Chandon falsificadas. Foram também apreendidos 40 mil rótulos de Moët que valem US$ 2 milhões. O mercado de vinhos finos promete faturar US$ 69 bilhões em 2019 somente na China” (Valor Econômico 21/01/2017). Bill Koch, bilionário do ramo de petróleo e gás, pagou US$ 400 mil numa garrafa falsificada, e gastou mais US$ 35 milhões para desmontar uma rede de falsificadores” (UOL 21/10/2017).

O Paraguai, famoso por promover o comércio ilegal, tem hoje seus cigarros falsificados. Lá eles são fabricados, e posteriormente são vendidos no Brasil. Há registros de que uma gráfica inteira foi montada naquele país só para fabricar as embalagens falsas. “De acordo com a Receita Federal, são cerca de R$ 300 milhões de tributos sonegados por ano.” (G1 20/09/2017)

O Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP) e a Polícia Civil prenderam em julho de 2017 uma quadrilha especializada em falsificar cosméticos e produtos capilares de marcas famosas.

Estima-se que o grupo faturava R$ 120 mil por mês com a venda de produtos falsificados, e que tenha arrecadado cerca de R$ 6 milhões em todo o período.

As mercadorias apresentavam substâncias nocivas à saúde e em concentração vedada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um dos cosméticos tinha concentração de 6% de formol. (O Estado de S. Paulo, 05/07/2017)

Os problemas causados pela falsificação podem ser de ordem econômica, pois criam uma concorrência desleal com empresas sérias, que acabam despedindo funcionários. Isso leva ao problema social do desemprego. É também um problema ambiental porque a fabricação dos produtos e controle de resíduos não respeitam normas mínimas exigidas, que ocasiona em problemas de saúde.

A boa notícia é que a falsificação pode ser eliminada. Temos exemplos de empresas que sofriam com ela e que, após uma bem-sucedida campanha de Brand Protection, viram suas vendas dobrarem em um período de 2 anos.

As soluções são desenvolvidas de acordo com a necessidade de cada produto e mercado. Podem ser simples, com a aplicação de um item de segurança, ou mais sofisticadas, com dois ou mais itens. Esses itens devem ter duas características essenciais: tecnologia fechada e venda controlada. Também devemos garantir que o consumidor final possa reconhecê-las de forma rápida, fácil e inequívoca. Os elementos de segurança agregam muito valor à marca e valorizaram o produto, além de deixar as embalagens mais atraentes. Outro detalhe importante é que inovar em embalagem é muito mais rápido e barato que inovar no produto.

Um dos grandes problemas das empresas que sofrem com a falsificação é não saber o quanto perdem exatamente. Seus levantamentos são muitas vezes baseados em apreensões de mercadorias e isso revela somente uma parte da verdade. Campanhas de Brand Protection podem ser feitas sem a necessidade de a marca admitir que sofre com a falsificação. Nessas campanhas os clientes finais podem ser grandes aliados ou mesmo fiscais em potencial, sem mesmo que percebam.

 

A importância da embalagem no combate a falsificação

Apesar de o artigo falar sobre falsificação, é fácil perceber o papel da embalagem como forma de prevenção da ação de malfeitores. Isso pode servir de alertar para que as empresas, na hora de desenvolver suas embalagens, pensem na possibilidade de utilizar elementos de segurança. Uma ação preventiva, bem planejada e com o acompanhamento de um especialista em proteção de marcas é o ideal para evitar possíveis problemas de falsificação. Podemos dizer que, entre outras inúmeras funções, a embalagem tem a grande missão de ser a ‘guardiã da marca’.

foto Artigo* Fernando Oliveira é especialista em Brand Protection e Track & Trace. Atua há 20 anos no mercado de acabamentos gráficos especiais para os setores de embalagens, rótulos, editorial, promocional e de impressos de segurança.

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