Campanha pede informação mais precisa nos rótulos

Para tornar obrigatória a inclusão de informações claras sobre a presença de alimentos que provocam alergias ou de traços desses alimentos nos rótulos dos produtos, um grupo de mães se uniu e criou a campanha “Põe no Rótulo” no Facebook.

A ideia da campanha surgiu a partir da troca de informações online de mais de 700 famílias cujos filhos têm alergia alimentar. O grupo resolveu criar o movimento com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os riscos que a falta de informações nos rótulos podem trazer para as pessoas que têm alergia. Dependendo do grau de sensibilidade, o alérgico pode ter choque anafilático, fechamento da glote, além de outras reações graves que podem levar à morte. Em pouco mais de um mês, a campanha #poenorotulo já tem quase 25 mil curtidas.

Um estudo conduzido em 2009 pela Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostrou que 39,5% das reações alérgicas a leite de vaca estavam relacionadas a erros na leitura de rótulos.

As mães defendem que a informação sobre a presença dos principais alimentos alérgenos ou traços desses alimentos – leite, soja, ovo, trigo, amendoim, oleaginosas, frutos secos e peixes – esteja clara e em destaque nos rótulos, a exemplo do que já ocorre com o glúten, substância que não pode ser ingerida por quem tem a doença celíaca. Desde 2003 as inscrições “contém glúten” ou “não contém glúten” são obrigatórias nas embalagens dos alimentos industrializados.

A campanha “Põe no Rótulo” propõe a criação de uma legislação específica sobre o tema ou o estabelecimento de uma norma pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que obrigue a indústria alimentícia a fazer a correta rotulagem de alérgenos.

De acordo com a Anvisa, há uma discussão sobre a obrigatoriedade de se prestar informações sobre alergênicos nos rótulos no âmbito do Mercosul. A aprovação da proposta, entretanto, depende de consenso entre os países-membros. O tema já está em discussão há quatro anos. Nos Estados Unidos, as indústrias são obrigadas a prestar esse tipo de informação desde 2006, na União Europeia, Austrália e Nova Zelândia, desde 2003, e no Canadá, desde 2011.

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