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Almanaque Nº 50

Outubro de 2003


MASCULINA E FEMININA

Ao contrário do que muitos podem pensar, a globalizada marca LU de biscoitos, trazida ao Brasil há pouco tempo pela Danone, não é o nome ou o apelido de uma mulher. Na verdade, faz menção a um casal, os franceses Jean-Romain Lefévre e Isabelle Utile, cujos biscoitos, vendidos numa confeitaria aberta em 1846 na cidade de Nantes, ganharam fama de finas iguarias. LU é a junção das iniciais de seus sobrenomes.

 

HISTÓRICO TÔNICO BARRIGA-VERDE

Os xaropes fortificantes merecem uma página especial nos percalços da indústria farmacêutica brasileira. Um deles, o Sadol, lançado em 1924 pelo Laboratório Boettger e depois repassado ao Laboratório Catarinense, que o comercializa com sucesso até hoje, possui uma história das mais ricas. Com a ajuda do fabricante, contamos aqui alguns dos episódios da vida do produto.

 

POSTULANTE MISTERIOSO

Há cerca de 40 anos, em época de campanha eleitoral, a população de um município do interior do Paraná começou a se preocupar com um misterioso candidato, surgido do nada. Na verdade, tudo não passou de uma confusão. Com a profusão de santinhos dos candidatos e partidos políticos e de inscrições em muros, porteiras e pedras, o povo pensou que o slogan publicitário "Tome Sadol", inscrito em rochas, aludisse a um certo postulante de nome "Tomé Sadol". Até descobrirem a verdade, os candidatos de verdade chegaram até a discutir estratégias para competir com o tal "Tomé"...

 

CURIOSO CONSELHO AMIGO

Por muito tempo o Sadol foi comercializado em frasco de vidro. E não à toa, já que o Laboratório Catarinense possuía uma vidraria própria. Todavia, Ney Osvaldo Silva Filho, presidente da farmacêutica, recebeu uma notícia ruim no fim dos anos 70. Ao visitar a subsidiária de uma grande vidraria estrangeira para propor uma parceria tecnológica, descobriu que sua vidraria estava bem ultrapassada. Não valeria a pena mantê-la funcionando. Curiosamente, o diretor da vidraria multinacional lhe sugeriu que, em vez de injetar capital na atualização das linhas de vidro, comprasse máquinas injetoras para fabricar embalagens plásticas. Assim nasceu, em 1982, a AB Plast, braço do Laboratório Catarinense que produz os frascos plásticos com o mesmo desenho dos originais de vidro que, desde então, acondicionam o Sadol.

 

FUTEBOL E MERCHANDISING

Futebolistas e outros atletas brasileiros que hoje ganham fortunas posando como garotos-propaganda têm uma espécie de patrono no craque que imortalizou uma das mais belas jogadas do futebol: a bicicleta. A "pedalada" no ar se tornou a marca registrada do centroavante Leônidas da Silva, considerado o primeiro grande ídolo do futebol brasileiro. Costumava-se dizer que, nos anos quarenta, somente três pessoas eram capazes de reunir multidões no país: Getúlio Vargas, o cantor Orlando Silva e o próprio Leônidas. O apelido "Diamante Negro", ganho pelo atacante, virou marca de cigarros, de balas, de um relógio e do chocolate que até hoje tem forte apelo de vendas. Pelo contrato com a Lacta, o craque recebeu a então polpuda soma de 3 contos de réis. Foi um dos primeiros futebolistas a ter automóvel no país. No último dia 6 de setembro, internado com Mal de Alzheimer numa clínica geriátrica próxima à capital paulista (custeada por um de seus ex-clubes, o São Paulo, registre-se, dada a raridade do gesto), Leônidas completou 90 anos de idade.







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