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Almanaque Nº 53

Janeiro de 2004


A SABEDORIA MANDOU FICAR

O exótico nome de um dos fármacos mais tradicionais do Brasil, a pomada Minancora, criada em 1913, nada mais é que uma combinação de substantivos. Ele une Minerva, a deusa grega da sabedoria, à palavra âncora, uma alusão à decisão do inventor do produto, o farmacêutico português Eduardo Augusto Gonçalves, de permanecer no Brasil. Essa mistura também é explicitada visualmente na embalagem da pomada, que durante muito tempo foi de aço e que, em 1992, migrou para o plástico: nela, um desenho mostra a deusa escorada numa grande âncora.

 

E NO INÍCIO ERAM ROLOS

Aos que indagam de onde vem o nome da multinacional Sonoco, a origem é simples. Hoje grande provedora de embalagens, inclusive no Brasil, onde atua através de uma joint-venture com a For-Plas, a empresa foi fundada em 1899 em Hartsville, no Estado americano da Carolina do Sul, como The Southern Novelty Company. No início, produzia rolos cônicos de papel destinados a carregar fios para a indústria têxtil (foto). Com a diversificação de atividades e da linha de produtos, a companhia resolveu mudar de nome em 1923 para Sonoco, usando as duas letras iniciais de cada palavra do nome original. Já o desenho do "S" que marca o seu logotipo desde 1964 e que pouco foi alterado desde então, foi escolhido em parte por representar a mais básica tecnologia da empresa: o papel correndo em espiral por um cilindro, base da manufatura tanto dos transportadores de fios quanto das latas cartonadas multifoliadas que hoje ela distribui com sucesso.

 

IDÉIA DO PACIENTE INGLÊS

Já nos tempos do Império Romano sabia-se da qualidade da água de uma certa nascente chamada Les Bouillens, situada em Vergèze, na França. Em 1863, o então imperador Napoleão III permitiu o desenvolvimento dessa fonte, direito que trinta anos depois foi passado a Louis Perrier, um médico que estudava terapias termais. Um paciente inglês de Perrier, o aristocrata Sir St-John Harmsworth, gostou tanto daquela água que comprou a nascente e a rebatizou com o sobrenome do doutor. Pouco depois, em 1903, estreava na Europa a famosa garrafa de vidro verde da água mineral Perrier, que se tornaria sua marca registrada. A embalagem foi idéia de Harmsworth: sua forma remetia à das clavas indianas que o inglês utilizava em sessões de fisioterapia, pois ele ficara paralítico em um acidente de automóvel.

 

RUBRICA, O PRIMÓRDIO DA MARCA FORTE

Uma simplória tira de papel, com a inscrição de seu sobrenome, foi a primeira embalagem que o alemão Henrique Wickbold utilizou para embalar os pães de centeio que começou a fabricar em 1938, numa pequena padaria instalada na garagem de sua casa, em São Paulo. Mesmo que não propositalmente, o empresário começara ali, assinando os envoltórios de seus filões de pão, a construir a imagem da marca que hoje, quase 70 anos depois, é uma das principais entre a indústria panificadora nacional.







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