ADEUS AOS ABRIDORES
No momento em que se multiplicam as soluções de fácil abertura para latas de aço e copos de vidro, deve haver quem lembre que menos de vinte anos atrás destampar embalagens de derivados de tomate e requeijão era um duro exercício que exigia o uso de instrumentos auxiliares. No caso de latas, era preciso usar um abridor; no de copos, fechados por sistema de recravação, recorria-se a facas, chaves de fenda, garfos, objetos assim. Foi em meados de 1988 que a mídia começou a anunciar “para breve” a comercialização de um sistema de fechamento de copos de vidro que deveria “seguramente marcar o início de uma nova era”. Tratava-se da hoje conhecidíssima tampa Abre-Fácil, desenvolvida pela Metalgráfica Rojek em conjunto com a vidraria Nadir Figueiredo. Estreou no requeijão em copo Chisi, da LPC (Laticínios Poços de Caldas), posteriormente absorvida pela Danone.
O NOME DO PAI PREVALECEU
Hoje famosíssimo e vendido em mais de 190 países, o bitter alcoólico Campari guarda uma curiosidade sobre seu nome. Em sua juventude, o milanês Gaspare Campari resolveu tentar ganhar a vida em Turim. Começou como garçom e barman e, nas horas de folga, pesquisava receitas de bebidas finas. Voltou a Milão em 1860, e fundou a Fabrica di Campari Gaspare Liquorista, mas nessa época ainda não tinha lançado sua bebida mais famosa. Ela só apareceria sete anos mais tarde, quando Gaspare abriu outro negócio, o Caffè Campari.O aperitivo foi batizado de Bitter Uso Olanda para pegar carona nos licores holandeses então na moda. Os clientes do café, no entanto, pediam a bebida sempre pelo apelido: “o bitter do Campari”. O sucesso fez o nome original ser descartado.
AS BOMBAS ABRIRAM CAMINHO
As primeiras embalagens cartonadas para líqüidos surgiram em 1906, quando o americano G. W. Maxwell inventou uma forma de acondicionar leite em cartões impermeabilizados com uma camada de parafina. Na Europa, a primeira empresa a investir nas embalagens cartonadas foi a alemã Jagenberg Werke AG, que desenvolveu uma embalagem celulósica para geléias durante a Primeira Guerra. A mesma empresa patenteou, em 1929, uma embalagem de papel cartão parafinado, redonda na base e quadrada na parte superior, que recebeu a marca Perga. Só a partir dos anos 1950, entretanto, a Perga passou a ser adotada em larga escala, pelas mãos da PKL (hoje SIG Combibloc), subsidiária da Jagenberg Werke, graças, em parte, à Segunda Guerra. Em muitas cidades européias, os laticínios enfrentavam dificuldades para higienizar suas embalagens retornáveis, pela destruição de poços e sistemas de água. Com isso, a alternativa descartável encontrou um caminho pavimentado para avançar.
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