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Almanaque Nº 63

Novembro de 2004


DAS TELAS DE GARRAFÃO PARA AS SANDÁLIAS FOI UM PASSO

Fundada em 1971 na cidade de Farroupilha (RS), a Grendene começou como fabricante de telas plásticas protetoras para garrafões de vinhos. No fim da década de 70, um dos diretores da empresa, Pedro Grendene, foi aproveitar o verão europeu na Riviera Francesa, onde reparou que a sandália feita de tiras de plástico calçada por todos os pescadores da região, chamada Fisherman, estava virando moda na Europa. O calçado logo chegou às butiques de São Paulo e do Rio, e, como no Velho Mundo, tornou-se uma febre no Brasil. Daí que a Grendene, percebendo como a produção das telas para garrafões se parecia muito com a das sandálias, decidiu criar uma versão nacional das Fisherman. Sob o nome Melissa, ela foi lançada no fim de 1979. A sandália da Grendene virou febre: era mais barata e até durava mais que o produto inspirador. Nos anos 80, chegou-se a vender 25 milhões de pares da Melissa num único ano. O calçado, que está completando 25 anos em 2004, segue firme e forte: ainda vende quase 1 milhão de pares anualmente.

 

APELOS AO APELO

Um dos produtos nacionais que mais apelaram ao apelo de reutilização de sua embalagem de vidro em campanhas de merchandising foi a célebre Geléia de Mocotó Inbasa. Os trintões e mais velhos devem lembrar do reclame televisivo cuja mensagem final era: “A criança fica com a geléia; a mãe, com o copo”. A menção à embalagem pôde ser vista em várias outras peças publicitárias do produto, como na que é reproduzida acima, do início dos anos 80. No começo da década de 90, a Inbasa – Indústria Brasileira de Alimentos foi comprada pela Arisco, pouco depois adquirida pela Refinações de Milho Brasil, que por sua vez foi incorporada pela Unilever em 2000. Hoje, a marca Inbasa, que dizem já ter pertencido a Roberto Marinho, da Rede Globo, é mera coadjuvante na embalagem do produto: aparece, discretamente, num canto dos rótulos da agora rebatizada Geléia de Mocotó Arisco.

 

O CANTIL AQUI VIROU XINGAMENTO
Muito tempo atrás era comum ver franceses carregando seu boucaut, um primitivo cantil feito de couro de bode (bouc, em francês). Na Espanha, ele ganhou o nome de bocoy. Quando chegou ao Brasil, essa “embalagem” sofreu duas modificações: passou a ser feita pelos colonos com couro de tatu e a ser chamada, carinhosamente, de bocó. O bocó não tinha tampa e ficava sempre aberto. Daí seu nome passou também a ser utilizado para designar a pessoa boba, palerma, sempre pasma

e de boca aberta.

 

O VOCÊ SABIA?

* Skol vem de skål, ou “taça” em dinamarquês. A palavra é usada como saudação na hora do brinde, como “saúde” no Brasil
* Os óculos Ray-Ban foram desenvolvidos na década de 30 para proteger a visão dos pilotos de caças americanos dos raios solares
* Jipe é o som da pronúncia em inglês das iniciais G.P., de general purpose – “uso geral”, como os carros 4x4 eram chamados nos anos 40. Daí jeep, que virou jipe, aportuguesado. Jeep é também o nome do cachorro do Popeye.







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