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Almanaque Nº 89

Janeiro de 2007


Marca polêmica não é nova

A marca H2OH! da AmBev, lançada no Brasil em parceria com a Pepsi e que tem motivado protestos dos engarrafadores de água mineral pedindo a retirada do produto do mercado, é bem mais antiga do que algumas pessoas talvez imaginem. Já no final da década de 1980 a marca fazia sucesso nos Estados Unidos, onde era vendida pela Pepsi como água – comum, fornecida pela rede pública e altamente filtrada. No Brasil, é vendida com adição de essência de fruta e gás carbônico, o que a enquadra como refrigerante. É o que os envasadores de minerais chamam depreciativamente de “água Denorex”, numa referência a um antigo xampu anticaspa que, nos comerciais de rádio, era apresentado como um produto que “parece remédio, mas não é”.

 

O monge que virou garrafa

Um dos licores mais famosos do mundo surgiu há cerca de 300 anos na região de Piemonte, no norte da Itália, produzido por monges cristãos que dominavam a arte de fazer uma saborosa bebida a partir de avelãs silvestres. A marca se originaria do nome do suposto inventor, um monge eremita chamado Francisco Angelico. Apesar da lenda, a bebida só passou a ser comercializada em 1978 e é conhecida por sua inconfundível garrafa de vidro âmbar que imita o hábito de um monge franciscano com uma corda amarrada na cintura, em várias versões: 50, 350, 375, 700 e 750 mililitros, 1 litro e 1,75 litro. O rótulo imita um pergaminho antigo com referências á história da bebida, toda ela produzida com os rigores “kosher”, ou seja, aprovada pela lei judaica.

 

Uma história  de baralho

Quando se pensa em jogos de baralho no Brasil imediatamente vem à lembrança a marca Copag, da fábrica de mesmo nome. A empresa foi fundada pelo gráfico Albino Gonçalves em 1908, em São Paulo. Nos primeiros anos atuou como importadora de cartas. Somente em 1918 passou a produzir seu próprio baralho, sendo pioneira na fabricação de cartas para jogos no Brasil. Hoje, a Copag tem amplas instalações no complexo industrial de Manaus (AM) e é uma das principais fornecedoras dos maiores cassinos de Las Vegas. As duas letras finais da marca são mera coincidência com as iniciais do nome do fundador da empresa. Na verdade, ela é um acrônimo formado por letras iniciais da razão social de Companhia Paulista de Artes Gráficas.

 

Discussão superada sobre pioneirismo

Na curta porém dinâmica história dos auto-adesivos no Brasil, uma das muitas primazias que se discute é qual empresa – a americana Avery Dennison ou a alemã Jac – teria montado no país a primeira fábrica de bases para impressão desses rótulos que revolucionaram o varejo. Embora a Avery (Fasson) afirme ter inaugurado sua unidade produtiva em 1976, anúncio veiculado pela Jac no ano seguinte em jornais brasileiros alardeava a entrada em marcha da “primeira fábrica nacional produzindo completa linha de papéis e películas auto-adesivas”. A sutileza estava na palavra “completa”, pois a concorrente produziria apenas um dos dois componentes, formando a base com a importação do outro. É uma discussão superada: em maio de 2002 a Jac foi comprada em âmbito global pela Avery Dennison.







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