O VÔO DA CANARINHO
A “embalagem” brasileira de maior fama mundial, a camisa que “acondiciona” os craques de altíssimo valor de nossa seleção de futebol, teve como designer o gaúcho Aldyr Garcia Schlee. Hoje um tarimbado escritor, Schlee, à ocasião da criação, tinha apenas 19 anos e trabalhava como chargista e ilustrador – costumava, por exemplo, desenhar reproduções de gols para revistas e jornais, tradição que sucumbiu ao uso das fotografias. Era 1953, e a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), antiga CBF, na ânsia de aposentar a camisa branca com gola azul usada até o “maracanazo” da Copa de 1950, quando o Brasil perdeu de forma traumática a final, em casa, para os uruguaios, promoveu um concurso para obter uma nova farda para o escrete brasileiro. A única exigência era que a camisa se ativesse às cores da bandeira. De diversos esboços de Schlee, a CBD pinçou a camisa mais limpa, na qual prevalecia o amarelo “canarinho” (ao lado, o rascunho original).
O resto é história.
NÃO É TIPO, É MEDIDA
Ao contrário do que muitos imaginam, chope não designa a cerveja fresca de barril. A palavra vem do alemão schoppen, que significa “copo” ou “quartilho” – a quarta parte de uma canada, antiga medida portuguesa equivalente a 1,4 litro, ou seja, uma dose de 350 mililitros. Utilizado por aqui na versão da língua pátria por imigrantes alemães (e franceses), como chope na hora de pedir um copo pequeno de loira gelada, a schoppen, originalmente uma unidade de medida, acabou virando sinônimo de cerveja servida em copo.
O VERDADEIRO NAPOLEÃO DA MARGARINA
Na edição 68, EmbalagemMarca informou que a margarina foi inventada em 1869 pelo físico Hippolyte Mège Mouriès, vencedor de um prêmio instituído pelo imperador Napoleão Bonaparte a quem conseguisse encontrar um produto substituto para a manteiga a um custo mais baixo.
Na verdade, quem governava a França na época era Carlos Luís Napoleão Bonaparte, ou Napoleão III (1808-1873), sobrinho-neto de Napoleão I. Eleito presidente da nova República Francesa em 1848, em 1851 deu um golpe de estado, assumindo poderes ditatoriais e criando o Segundo Império. Permaneceu no poder até 1870, quando fugiu para Inglaterra durante a invasão da França pela Alemanha na Guerra Franco-Prussiana.
VÁLVULA DE BOAS IDÉIAS
O conceito do aerossol remonta ao fim do século 18, quando bebidas gasosas em sifões surgiram na França. Em 1927, o engenheiro norueguês Erik Rotheim patenteou a primeira lata aerossol com válvula acionada por um sistema propelente, considerada a precursora do aerossol moderno. Um formato compacto, porém, surgiria somente anos depois, durante a Segunda Guerra, quando o governo americano custeou pesquisas para a criação de um spray portátil para os soldados repelirem mosquitos vetores da malária nos fronts – feito obtido por Lyle Goodhue e William Sullivan, em 1943, por meio de uma latinha pressurizada por gás liquefeito, o clorofluorcarboneto (CFC). A massificação industrial do aerossol, porém, só ocorreria após 1953, de carona na invenção de uma nova válvula pelo americano Robert Abplanal. No Brasil, a primeira produtora de latas de aerossol foi a Cia. Metalúrgica Prada, de São Paulo, no início dos anos 70.
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