Da série “não é o que parece...”
Muitos dos jovens hoje responsáveis pelo consumo de quase 600 000 pacotes diários dos salgadinhos Elma Chips podem pensar que a marca é internacional. Ledo engano. A marca surgiu, sim, pelas mãos da multinacional Pepsico, mas com as compras e a união da American Potato Chips, de São Paulo, e da curitibana Elma Produtos Alimentícios. Foi em 1974.
Nome inspira sabonete e sabonete inspira nome
Desde 1913 até pouco depois de meados do século 20, a marca de sabonete Gessy, fabricado no Brasil pelo imigrante italiano José Milani, era tão popular que permitiu a ele rivalizar no mercado brasileiro com a multinacional Lever, hoje Unilever, que acabou comprando sua empresa. O nome surgiu de um acaso ocorrido em Paris. Lá, na década de 1910, o filho mais velho do industrial, Adolfo, conheceu a noiva de um amigo chamada Gessy. Adotou o nome para o sabonete imaginando que daria ao produto uma aura internacional. Deu tão certo que virou nome de muita menina brasileira na primeira metade do século 20.
Uma uva e um cacho de donos
Lançado em 1940 pelo americano Benjamin Tyndle Fooks, um ex-sucateiro, o refrigerante de uva Grapette logo conquistou uma legião de fãs graças ao seu sabor inovador e a sua chamativa coloração – que atraía olhares através da então inédita garrafinha de vidro de 6 onças líquidas, ou 170 mililitros, em que o produto era envasado (na foto). O Grapette chegou ao Brasil em 1948, por obra da Cia. de Refrigerantes Guanabara, e passou pelas mãos da Anderson Clayton – responsável pela criação do famoso slogan “Quem bebe Grapette repete”, nos anos 60 – e do grupo venezuelano Imataca, antigo detentor da franquia Pepsi Cola no Rio e em São Paulo. Em 1989, a Saborama Sabores e Concentrados Ltda., então detentora da marca, transferiu boa parte de seus direitos para a fluminense Refrigerantes Pakera, que continua a engarrafar a bebida até hoje.
O sumiço dos jacarés se explicava
Lançadas em diferentes momentos na cidade paranaense de Toledo, as cervejas tipo stout Xingu e Colônia Negra têm mais em comum do que as origens e a cor, e algumas diferenças importantes. Criada em 1988 pela Cervejaria Independência, para atender principalmente a exportações para os Estados Unidos, a Xingu foi vendida em 2001 para a Kaiser, passou depois pela canadense Molson e atualmente pertence à mexicana Femsa. Posterior a ela, a Colônia é produzida pela Indústria Nacional de Bebidas (INAB), antiga Cervejaria Sul Brasileira. Mas o que chamava a atenção não eram essas diferenças. Eram as semelhanças da decoração das garrafas das duas marcas. Ocorre que, aproveitando o apelo da Amazônia sobre o imaginário do público americano, a Xingu era vendida como um produto exótico, de alguma forma relacionado com aquela região, e para isso seu rótulo evocava a floresta, com figuras de jacarés e índios sobre um mapa com o rio Amazonas. Na Colônia os jacarés foram eliminados. Quando ambas eram colocadas lado a lado nos bares, os consumidores costumavam dizer que os répteis estavam ausentes do rótulo da Colônia porque tinham entrado no rio. As duas marcas continuam sendo comercializadas, com rótulos modernizados.
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