Nos últimos meses temos acompanhado o surgimento de uma grande variedade de produtos com embalagens singulares. Algumas dessas embalagens priorizam a questão ambiental. Outras, a funcionalidade. E outras tantas procuram, simplesmente, ser únicas.
Em termos de meio ambiente, frequentemente o stand-up pouch aparece em produtos com um apelo ecologicamente amigável, pelo fato de a bolsa plástica exigir menos plástico para sua produção do que uma garrafa plástica convencional. Embora essa alegada vantagem não seja um fato novo, não é normal ver um produto promovê-la tão claramente quanto no caso da inglesa PZ Cussons.
A empresa lançou um gel para banho acondicionado em um stand-up pouch que traz estampado em seu painel frontal, com muito mais destaque que o próprio nome da marca, a seguinte mensagem: “50% menos plástico ajudaram a fazer este pouch de...” (então é informada a marca e a discriminação do produto). O produto em si, um sabonete líquido de mel e amora, não é exatamente uma novidade. Mas a embalagem é.
Um produto indiano apresenta uma abordagem diferente. O sabão Holy Lama Naturals Rainforest Soap, da Vaishali Industries, é produzido artesanalmente com ingredientes naturais. Sua embalagem ajuda a reforçar o posicionamento da marca, que faz referência à floresta tropical (rainforest) e à produção, feita à mão. Trata-se de um recipiente em formato de concha que segue os contornos do sabonete e parece ser feito de algum tipo de casca vegetal. Apesar de a embalagem poder ser industrializada, e não derivada de um item natural, a mensagem que ela transmite é bastante clara: a de que o produto é “íntimo da natureza” e artesanal.
Em termos de embalagem que aprimora a funcionalidade do produto, a Lancôme tem um produto inusitado. A base Ôscillation PowerFoundation é dotada de um aplicador com um mecanismo elétrico que o faz vibrar (7000 movimentos por minuto), assim como escovas de dentes elétricas. De acordo com a Lancôme, o aplicador oscilante ajuda a “fragmentar suavemente o delicado pó mineral” do produto, criando assim um acabamento mais fino e imperceptível. Tal funcionalidade não é barata. Nos Estados Unidos, a nova base é vendida por 48 dólares.
Por fim, algumas vezes uma nova embalagem simplesmente transmite um sentido de graça. Nos Estados Unidos, uma pequena empresa chamada Help Rhemedies oferece uma linha de produtos para a saúde – incluindo analgésicos, antialérgicos e bandagens adesivas – com nomes singulares e embalagens curiosas. As bandagens adesivas, por exemplo, chamadas Help I’ve Cut Myself (“Socorro, me cortei”, em tradução livre do inglês), são acondicionadas em um estojo de polpa celulósica moldada, dotado de um esqueleto (aro) plástico nas bordas que o mantém fechado. Tal embalagem marca um afastamento significativo das tradicionais – e tediosas – caixas em que normalmente vemos esse tipo de produto ser comercializado.
Lynn Dornblaser é diretora da divisão CPG Trend Insight da consultoria Mintel International, com escritórios em Chicago e Londres. Com mais de vinte anos dedicados a análises de tendências globais de consumo, ela pode ser contatada pelo e-mail
lynnd@mintel.com
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