Pela apresentação, os doces podem parecer de alguma delicatéssen badalada. São, no entanto, produzidos artesanalmente por uma microempresa de Engenheiro Coelho, cidadezinha do interior paulista com cerca de 10 000 habitantes. Dessa fabricante, a Brasil Caipira, pode-se retirar mais um exemplo de como um projeto criterioso de embalagem é capaz de catapultar pequenos negócios.
Desde 1998 a empresa seguia uma prática corriqueira entre as docerias que resolvem ingressar no varejo: acondicionava seus produtos em bandejas brancas genéricas, de poliestireno expandido (EPS), envolvidas por filmes de PVC e decoradas com etiquetas simples. No início deste ano, a empresa decidiu modernizar as apresentações dos produtos. “Além de feias”, conta Raquel Aparecida Ravanini, diretora comercial da Brasil Caipira, “as embalagens antigas eram violadas com muita facilidade.”
A mudança teve início com a contratação de uma agência de design, a Louren Costa. “Fizemos observações no varejo e percebemos a oportunidade de vender doces com valor agregado de marca, já que a categoria é nivelada por baixo em termos de branding”, diz o designer Lourenço Costa.
Após estudos, foram projetadas embalagens compostas por bandejas pretas, de polipropileno, fornecidas pela Starpack (antiga divisão de descartáveis da distribuidora de máquinas Sunnyvale), fechadas por um filme-tampa transparente, de polipropileno biorientado (BOPP). “O preto, pouco utilizado no mercado de doces, garante percepção de nobreza e requinte”, entende Costa. Para viabilizar o fechamento da embalagem, a Brasil Caipira adquiriu uma seladora manual, fabricada pela Delgo, capaz de selar até 250 unidades por hora.
Shelf life dobrado
O toque final do projeto foi a criação de cintas de papel para envolvimento das bandejas. Elas fazem o papel de rótulos e destacam fotos de ingredientes e situações de preparo dos produtos. O upgrade na qualidade de apresentação facilitou a entrada da Brasil Caipira em novos canais de vendas, como Pão de Açúcar, Mambo e outras redes de supermercados da Grande São Paulo. A ampliação da distribuição não se deveu somente à qualidade visual dos produtos. “O sistema de vedação, que agora é difícil de ser violado, praticamente dobrou a conservação dos produtos”, aponta Raquel. “Agora nossos doces têm shelf life de até cinquenta dias.” (GK)
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