Muitos consumidores de queijos são avessos às bandejas com porções previamente cortadas pelo varejo, preferindo levar para casa produtos fracionados na hora, sob o pretexto de maior garantia de frescor. Atentos a esse hábito, laticínios cada vez mais tentam convencer o brasileiro das vantagens dos queijos fracionados “de fábrica”, acondicionados em invólucros de alta barreira, que prometem prolongar validade e qualidade do conteúdo. Um exemplo é a Tirolez. A empresa tem feito sucesso ao comercializar pedaços de queijos especiais em uma sofisticada embalagem a vácuo, do tipo skin pack.
A solução adotada pelo laticínio brasileiro é lastreada em uma tecnologia denominada Darfresh, desenvolvida na Itália pela Cryovac. Em linhas básicas, consiste numa base (que pode ser desde um filme plástico espesso, como no caso dos queijos da Tirolez, até chapas e bandejas) recoberta por um filme termoencolhível. A camada superior adere aos produtos acondicionados tal qual uma pele, realçando seus contornos , como as olhaduras (buracos) dos queijos. “Para o consumidor, essa característica se traduz em hermeticidade, que preserva características como aparência, sabor e aroma, e percepção real de textura e cor”, afirma o gerente de marketing da Tirolez, Disney Criscione.
Novos canais abertos
Atualmente, a Tirolez utiliza o Darfresh para acondicionar porções de sete variedades de queijos (Emental, Gruyère, Estepe, Gouda, Prato Esférico, Edam e Reino). Embora evite divulgar números, a empresa diz que a embalagem teve boa recepção no mercado, o que já a faz planejar estender seu uso a outros produtos. Graças à alta barreira dos filmes utilizados, a validade dos queijos chega a até dois meses, contra os cinco dias dos acondicionados pelos supermercados nas tradicionais bandejas de poliestireno com filme de PVC. A novidade permitiu à Tirolez ampliar sua presença em padarias, sacolões e pequenos supermercados, bem como atingir regiões mais distantes. “A nova embalagem veio mostrar ao consumidor que o produto fracionado na fábrica tem boa qualidade”, declara Criscione.
A Tirolez é a primeira fabricante nacional de queijos a adotar a Darfresh. Para viabilizar o projeto, o laticínio adquiriu duas embaladoras semi-automáticas, fabricadas na Suíça pela Cryovac, a as instalou em sua planta industrial de Monte Aprazível (SP). Os filmes são também importados da Europa. Somente outra empresa, cujo nome a fornecedora pede para não ser divulgado, utiliza esse tipo de embalagem no Brasil, mas para o acondicionamento de embutidos. Em outros países, a tecnologia já é empregada em carnes, peixes, queijos e alimentos processados, contando até com uma variante capaz de ir ao forno de microondas. (AES)
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