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Almanaque Nº 55

Março de 2004


MARIA É QUE É FIEL DE VERDADE

Os mais antigos certamente se lembram do slogan que marcou antigas campanhas publicitárias do tradicional óleo de mesa Maria, o popular "Maria, sai da lata". Ao que poderia soar, num outro sentido, como uma sugestão de mudança de embalagem, o óleo da Vida Alimentos se manteve irredutível e há mais de sessenta anos continua com a lata de aço. Na verdade, Maria só saiu dela recentemente, quando virou marca guarda-chuva e originou uma maionese, e numa edição especial do óleo de mesa ambas vendidas em embalagens de vidro.

 

O NOME AGORA É DADINHO

Causa certa confusão, na embalagem do doce de amendoim Dadinho, da Dizioli, a destacada inscrição "IVº Centenário". Esclarecendo, não se trata de um produto com quatro séculos de vida. Ocorre que IVº Centenário é o nome original da guloseima, lançada justamente há 50 anos, quando a cidade de São Paulo comemorava a data histórica. No entanto, o apelido que a população deu ao produto, devido ao seu formato, pegou – e ele logo foi adotado pela Dizioli. Em tempo: segundo a fabricante, o Dadinho foi um dos primeiros produtos nacionais a utilizar papel metalizado como embalagem, uma novidade na época de seu lançamento.

 

ANTIGAMENTE, CHEIRAR PÓ CAUSAVA ESTERNUTAÇÃO

No Brasil ainda se aspira pelo nariz certo pó industrializado, vendido em doses de 5g, com vistas a acelerar um efeito causador de bem-estar físico, outrora conhecido pelo horrível nome de "esternutação". O costume de cheirar tabaco em pó, ou rapé, para obter aquele resultado foi adquirido dos indígenas pelos colonizadores portugueses nos primórdios da brasilidade. Viria a ser moda nos salões elegantes da Europa, onde nobres, burgueses e cocotes tomavam suas prises a fim de alcançar o "efeito esternutatório" – ou, num sinônimo mais palatável, "espirrar". Antigamente, acreditava-se que isso ajudaria no combate à sinusite e a outras doenças respiratórias. A ciência rechaçaria essa crença, mas cheirar tabac râpé era, no mínimo, chic. Embora não desfrute da popularidade de outrora, o pozinho ainda possui adeptos. Os mais puristas o acondicionam em corrimboques, pontas ocas de chifres de boi fechadas com rolhas esculpidas e decoradas. Outros, em minúsculos cofres de prata ou marfim ancestrais. No entanto, as embalagens comerciais de rapé mais comuns, atualmente, são singelas e democráticas latas de aço, como as usadas para acondicionar pomadas (foto). Ao que se tem notícia, um dos poucos municípios onde ainda se fabrica o produto no país é Guarani, em Minas Gerais, que oferece pelos menos duas marcas: Moeda, em vários aromas, e Imburana. Não é um pó qualquer: é tudo rapé puro, em inconfundíveis cores escuras, feito exclusivamente à base de tabaco.







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