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Almanaque Nº 64

Dezembro de 2004


UMA HISTÓRIA DO LEITE

Para os interessados na memória das embalagens no Brasil, um livro precioso é O Leite na Paulicéia, recém-lançado pelo jornalista João Castanho Dias, em homenagem aos 450 anos da cidade de São Paulo. Com 148 páginas, 250 fotos e documentos, o livro mostra, além da transformação no sistema de transporte do produto na capital do Estado, que começou com carroças equipadas com tanques de aço para venda a granel, até a evolução das embalagens, desde as garrafas de vidro de 1 litro surgidas na década de 1920 às atuais embalagens cartonadas assépticas. No capítulo das embalagens, destacam-se garrafas de vidro âmbar dos anos 60. Editado pela Calandra Editorial e apoio da Associação Brasileira de Leite e da Associação Brasileira do Leite Longa Vida.

 

SETENTONA COM FORÇA TOTAL
Tubaína, como são conhecidos os refrigerantes regionais, é marca registrada. Pertence à Ferráspari, de Jundiaí, no interior de São Paulo, e foi criada na década de 1930, com as balas “sabor turbaína”. Quando a bala parou de ser fabricada, o “sabor” migrou para um refrigerante recém-criado pela Ferráspari. O nome também mudou, para “tubaína”

A marca se tornou popular graças aos concorrentes que, ainda na década de 1940, pediram autorização à Ferráspari para utilizá-lo, com algumas variações, em seus produtos. Surgiram assim as marcas Itubaína, Taubaína, Tatubaína, entre muitas outras. No início, eram vendidas em garrafas de vidro âmbar, reaproveitadas de cervejas. Hoje, na sua grande maioria, são acondicionadas em garrafas de PET. Calcula-se que existam no Brasil mais de 700 marcas de refrigerantes populares conhecidos co-mo tubaína, que juntas detêm algo próximo a um terço do mercado.

 

"SEMELHANTE A UM BELO CHIFRE"

Dá-se como certo que o primeiro plástico da história foi o celulóide, criado em 1868 por John Wesley Hyatt. Mas há notícia de uma receita para a produção de um material similar com mais de 400 anos. Foi elaborada por volta de 1570, quando o mercador suíço Bartholomäus Schobinger se encontrou com o monge beneditino bávaro Wolfgang Seidel na casa de um nobre alemão. O religioso, que era também editor de textos científicos, falou de um alquimista cujos escritos publicara, entre eles um sobre “o segredo para criar um material transparente semelhante a um belo chifre”. A receita mandava cozinhar um queijo de cabra durante um dia inteiro. Depois de resfriado, retirava-se o líqüido leitoso que ficava flutuando, aproveitando-se apenas o resíduo pastoso no fundo da vasilha. Schobinger e o monge aperfeiçoaram a receita. Na nova fórmula, adicionava-se água, cozinhava-se novamente e agitava-se até separar a água e a pasta. Com essa substância viscosa e “transparente como chifre” – caseína – moldavam-se, a quente, talheres, medalhões e outros objetos. Além da incipiente transparência, assemelhava ao vidro em outro aspecto: se caísse ao chão, despedaçava-se.



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