Seis meses depois de comprar a Kaiser por US$ 68 milhões, a mexicana Femsa decidiu unificar as operações da Coca-Cola Femsa Brasil e da cervejaria. A partir de agora, deixam de ser empresas independentes para se tornar divisões de negócios de um mesmo grupo. Ocuparão a mesma sede administrativa, terão os mesmos diretores para áreas financeira e de recursos humanos e as compras de insumos e serviços serão unificadas. A estratégia é aproveitar as estruturas para reduzir custos. O alicerce do projeto de retomada não está, por enquanto, focado em recuperar participação da cervejaria no mercado - que já vinha numa trajetória de queda e caiu ainda mais, passando de 9% para 7,3% desde a aquisição, segundo a Nielsen.
O primeiro passo da estratégia foi unificar a venda de cerveja com a de refrigerantes. Na prática, significa aproveitar a força da marca Coca-Cola para vender, também, Kaiser. Foi, assim, aliás, que a Kaiser nasceu e decolou, pelas mãos de um ex-engarrafador de Coca. A Femsa passou a aplicar na cervejaria dois instrumentos de gestão usados largamente pela AmBev: o orçamento base zero (OBZ) e valor econômico agregado (EVA). O OBZ renova o orçamento anualmente na tentativa de não levar para o exercício seguinte os mesmos custos. O EVA é uma medida de desempenho que embute na cabeça dos funcionários a necessidade de criação de valor para o negócio.
Outra medida que permitirá redução de custos é a unificação das compras. Desde a aquisição, a importação do malte, por exemplo, passou a ser negociada juntamente com a operação mexicana. No Brasil, latas, vidros, geladeiras e até mesmo serviço de telefonia passaram a ser conjuntos. É a velha e boa tática de que maior volume permite maior poder de barganha. (Valor Econômico)
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