Observatório da Embalagem – Quase um golaço

Empresa marca um tento ao apostar em bag-in-box para suco integral, mas se esquece de alguns detalhes

Por Guilherme Kamio, da redação da revista EmbalagemMarca

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Segundo estimativas de fornecedores, o giro anual de bag-in-box no mundo já teria superado 800 milhões de unidades. Esse tipo de embalagem, constituído por uma bolsa de laminado plástico acomodada numa caixa de papelão ondulado (ou de papel cartão), é especialmente atraente em termos mercadológicos pelo apelo de economia. Bebidas podem ter versões bulk, abundantes, que saem mais em conta do que a oferta de volumes iguais obtidos com a soma de garrafas ou outros recipientes menores.

O mercado vinícola é um dos mais receptivos à solução. Mundo afora o bag-in-box é cada vez mais utilizado para a venda de vinhos de mesa e dos chamados varietais, mais nobres. No Brasil, a oferta de vinhos em “flexíveis encaixotadas” não é exatamente uma novidade, embora ainda não tenha decolado. O fato de o vinho não ser uma paixão nacional deve atrapalhar a difusão do conceito, mas não decreta a embalagem como inoportuna para outros produtos. Quem não arrisca não petisca, diz o adágio, e uma das empresas que decidiram fazê-lo foi a Natural One, no campo dos sucos integrais.

Ante a decantada preocupação maior dos brasileiros com bem-estar e saúde, e do próprio embalo das vendas no País dos “sucos de verdade”, a jogada da Natural One é elogiável. A reportagem testou uma das opções da marca, um suco de laranja em bag-in-box de 4 litros (seriam oferecidas, ainda, caixas com 10 litros, além de sucos de uva e de maçã nos mesmos volumes), e comprovou que a embalagem pode agradar a muitos consumidores.

Na aquisição, feita em um supermercado de São Paulo, o exemplar oferecia uma economia de cerca de 20% no cotejo com quatro garrafas de 1 litro. A conservação do conteúdo por até um mês, após a abertura, é um atributo interessante. A torneirinha plástica integrada à embalagem, para extração do suco, funcionou bem, com vazão controlada e sem provocar respingos. As dimensões da caixa tornam fácil o armazenamento na geladeira.

O que poderia melhorar? Sentimos falta de instruções para descarte da embalagem, ainda mais numa caixa de impressão elaborada e tão rica de mensagens (com até mesmo versões em inglês para os dizeres em português). Convém desmontar o conjunto, já que a caixa usada acarreta considerável volume inútil, isto é, vazio? Se sim, como fazê-lo? Cabe notar que essa omissão não é exclusividade da marca de sucos. Os bag-in-box de vinhos raramente contêm esse tipo de informação, bem-vindo em propostas inovadoras.

Outra ausência se fez sentida no transporte e no manuseio da embalagem, antes do fim do conteúdo. Custava agregar uma alça à caixa? Provavelmente haverá quem diga que sim, que a adoção de qualquer recurso sempre traz um ônus. Incrementos de custo sempre devem ser avaliados com cuidado, mas no produto em questão, de perfil premium, talvez o componente tivesse impacto assimilável. Pode ser que ele nem implicasse o uso de um componente extra, cuja aplicação complicaria a operação fabril. Não seria possível adotar caixas com alça integrada de papelão ondulado, como as que vêm irrompendo, por exemplo, na venda de nobreaks? São, enfim, indagações para aperfeiçoar uma ideia muito boa.

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