Ser engenheiro de embalagem não é fácil, mas a profissão é prazerosa

Ser engenheiro de embalagem não é fácil. Faltam cursos e manuais.
Mas a profissão é prazerosa quando contribui para o avanço da empresa

O mexicano Jorge Maquita é gerente global de embalagem da PepsiCo. Acumula mais de 35 anos de experiência no campo do packaging, tendo passagens por Unilever, Gillette e Kraft Foods. Contato: jmaquita@prodigy.net.mx

O mexicano Jorge Maquita é gerente global de embalagem da PepsiCo. Acumula mais de 35 anos de experiência no campo do packaging, tendo passagens por Unilever, Gillette e Kraft Foods. Contato: jmaquita@prodigy.net.mx

Por Jorge Maquita*

Em muitos países em desenvolvimento não há universidades que ofereçam um bacharelado em Embalagem, para não

mencionar um mestrado de tal natureza. Muitos engenheiros de diferentes cursos, como Desenho Industrial, Engenharia de Alimentos, Engenharia Industrial e Engenharia Mecânica, acabam trabalhando como engenheiros de embalagem em pequenas, grandes e gigantescas empresas, com pouco ou nenhum conhecimento sobre a matéria, mas com um desejo grande de crescer nessa carreira emocionante, cheia de aventuras e promessas.

Desde o primeiro dia você se depara com questões sobre as quais a universidade lhe deu pouco ou nenhum conhecimento. Você pode ser instado a resolver um problema antigo da empresa que pode ou não estar relacionado à embalagem – “Mas já que você está aqui, por favor, nos ajude a resolvê-lo”…

À medida que passa o tempo, você percebe que se tornar um engenheiro de embalagem não é uma tarefa fácil, porque não existe um manual que lhe ensine como se comportar, que tipo de coisas você precisa saber e quão extenso pode ser o seu trabalho no campo e na linha de produção. Quanto mais você se aprofunda em sua função, surgem mais questões com as quais você precisa ter contato para prestar serviço, para fazer seu trabalho, assim como começam a pipocar surpresas ao longo do caminho sobre coisas que pareciam ser terra de ninguém, mas que todos passam a dizer ser sua responsabilidade.

Inicio estes artigos na esperança de compartilhar minhas experiências, meu aprendizado e de alguma forma o “saber encapsulado em frases” capaz de fornecer alguns insights para quem quer se tornar um engenheiro de embalagem. A primeira coisa que eu gostaria de compartilhar é esta sentença: “Não é importante o quanto você sabe, o quão técnico e científico você seja. O que importa é o quanto você contribui concretamente para os resultados da empresa para a qual você trabalha”.

Na minha carreira, encontrei muitas pessoas inteligentes adeptas de uma linguagem que soa muito técnica e sofisticada. Elas sempre explicam um fenômeno, uma tecnologia ou um problema de forma complexa, talvez para realçar seu alto e extenso conhecimento no campo da Embalagem. Só que para o empresário, para o CEO, a retórica não importa. O importante é como o conhecimento do engenheiro contribui para o negócio estar à frente da concorrência, para incrementar o market share, para melhorar as finanças, para colaborar com os valores da empresa, para obter economias.

Para o pessoal de marketing, o importante é saber se uma ideia é ou não factível, se você pode lhes entregar um projeto que funciona, que pode traduzir as necessidades e expectativas do consumidor em especificações técnicas, exequíveis e significativas. Para o vendedor, é importante saber que o projeto vai se encaixar na prateleira, que o espaço utilizável máximo é aproveitado. Para o gerente de produção, é importante saber que design, materiais e funcionalidades do acondicionamento proposto terão desempenho eficiente, dentro das taxas esperadas, atendendo aos padrões de qualidade esperados no final da linha.

Talvez para você tudo seja um conjunto fascinante de polímeros, tipos de papel cartão e fibras, válvulas dosadoras incríveis, todos com propriedades fascinantes. Mas, no final, você terá de descer do palanque, percorrer o caminho junto com os demais departamentos da empresa para lançar uma embalagem e um produto de sucesso no mercado. Mas como fazer isso? Como desenvolver projetos em sintonia com os colegas de outras áreas? Eis dois princípios que eu uso o tempo todo:

  1. Crie uma linguagem comum com eles, ensinando-lhes os princípios da embalagem, e levando-os a visitar alguns fornecedores, para que eles possam compreender as complexidades que você enfrenta e ter uma compreensão mútua do que pode ou não ser feito;
  2. Faça uma imersão básica no negócio. Você tem de entender a atividade, o mundo do marketing, os consumidores, os canais de distribuição e as finanças a um grau que você possa apreender suas necessidades e traduzi-las em embalagens. Portanto, você tem de falar fluentemente a linguagem mercantil e compreender o que está em jogo em termos de marketing, produção e finanças.

Este é o primeiro de alguns artigos contendo reflexões sobre a profissão de engenheiro de embalagem. Espero que eles sejam úteis para quem entrou por desejo nessa carreira, e também para quem nele ingressou acidentalmente e acabou se apaixonando, como eu. Sugestões e críticas são bem-vindas.

 

Artigo publicado originalmente na revista EmbalagemMarca de janeiro de 2016. Para ler artigos como este, em primeira mão, assine a revista EmbalagemMarca: http://www.embalagemmarca.com.br/assinaturas/

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