Alento para as feiras

Ideia de modernizar o Anhembi é uma luz em meio à precariedade dos nossos centros de convenções

Por Guilherme Kamio*

anhembiDias atrás, a Folha de S. Paulo noticiou que a Prefeitura de São Paulo quer privatizar o Anhembi. O prefeito Fernando Haddad desmentiu a reportagem, mas confirmou o intuito de realizar parcerias público-privadas (PPP) para “modernizar, otimizar, expandir e fazer a manutenção do local”.

Benfeitorias no maior centro de convenções da América Latina são bem-vindas. Quem já visitou complexos análogos de outros países sabe que o Anhembi pode melhorar bastante. E mesmo quem não teve essa oportunidade provavelmente já deve ter se indagado, em algum momento, se as condições do conjunto paulistano não poderiam ser melhores – de acesso, estacionamento, deslocamento interno, iluminação, climatização, decoração, alimentação e por aí vai.

O anúncio de Haddad, portanto, soa alentador. A torcida é que a intenção resulte de fato num espaço minimamente agradável e com boa infraestrutura – o que, convém lembrar, não é garantia em iniciativas não estatais.

Veja-se o que sucedeu em São Paulo nesta terça-feira (12 de maio), na inauguração das feiras FCE Cosmetique e FCE Pharma. Cerca de uma hora após a abertura dos eventos, ocorrida às 13 horas, o Transamérica Expo Center sofreu um apagão. Não havia, aparentemente, geradores para contornar esse tipo de incidente. Sem alimentação para computadores e totens de atendimento, o credenciamento e a emissão de crachás foram paralisados, gerando filas enormes nas entradas. Alguns visitantes acabaram desistindo do programa.

Após alguma espera em vão pelo retorno da energia, a organização da feira decidiu liberar a entrada. Menos mal. No recinto, porém, a situação também era incômoda. Alguns pavilhões contavam com iluminação de emergência, mas outros ficaram praticamente às escuras. Lanternas de celulares quebraram um grande galho. A força retornou pouco antes das 17 horas, para alívio geral. Mas, compreensivelmente, a irritação dos expositores não foi aplacada por completo. Numa mostra de 24 horas, divididas em três dias, mais de 10% do tempo foi perdido.

Somado a outros problemas não episódicos, como a dificuldade para acesso e estacionamento, o blecaute de terça fez aumentar minha impressão de que o Transamérica não é mais um ambiente adequado para aqueles eventos. Vinte anos atrás, quando surgiram as feiras FCE, a indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos faturava pouco mais de 4 bilhões de reais por ano. Em 2014, esse número superou 43 bilhões de reais. Uma atividade que cresceu tanto e que hoje é uma das mais vigorosas no País não mereceria um abrigo melhor para fornecedores exibirem insumos e tecnologias?

Parece não restar dúvidas de que sim. Mas onde?

*Guilherme Kamio, jornalista, é editor executivo de EmbalagemMarca

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