Pequenos com potencial

Fabricantes de papinhas orgânicas aproveitam lacuna do mercado para fazer sucesso.
Embalagem pode ajudá-los a crescer ainda mais, como fizeram seus pares internacionais

Por Guilherme Kamio*

papinhas-site“Todos os dias à noite, quando chegava em casa depois do trabalho, eu preparava papinhas orgânicas para minha filha. Até que me perguntei se não havia alguém que as vendesse. Pesquisei e vi que tinha em outros países, mas não no Brasil”. O depoimento é de Maria Fernanda Rizzo, proprietária da Empório da Papinha, rede de lojas que, segundo reportagem do UOL, deve faturar 2 milhões de reais em 2014.

Criado em 2007, o negócio conta hoje com quarenta pontos de venda no Brasil. Por mês, a Empório da Papinha produz 30 000 refeições para bebês, entre papinhas e sopinhas orgânicas. São 27 opções, preparadas sem conservantes, oferecidas congeladas em potes plásticos. Os produtos têm validade de seis meses.

A iniciativa de Maria Fernanda não é um caso isolado. Outras pessoas perceberam a lacuna no mercado brasileiro e apostaram na oferta de papinhas orgânicas, originando negócios como a Boutique da Papinha e a Maria Papinha.

Por questões de espaço, deixei de falar desses pequenos produtores numa reportagem recente sobre papinhas industrializadas, publicada em EmbalagemMarca. O artigo mostra que essa categoria, historicamente explorada no Brasil por uma única empresa (a Nestlé), começa a ser alvo de movimentações e de apostas de novos players.

A Jasmine Alimentos, por exemplo, acaba de lançar uma linha chamada Beabá de papinhas e purezinhos orgânicos. Os produtos, importados da Espanha e da Bolívia, são acondicionados em potes de alta barreira e em stand-up pouches (bolsas plásticas capazes de ficar em pé). Trata-se, salvo engano, da única oferta desse tipo de baby food, de apelo “supernatural”, no varejo brasileiro. É pouco, convenhamos.

Veja também: Nestlé adota potes plásticos para papinhas

O sucesso das marcas artesanais de papinhas orgânicas não denota somente visão e perspicácia de seus criadores. Também evidencia uma oportunidade desperdiçada pela indústria alimentícia. O vacilo pode custar caro. Nos Estados Unidos e na Europa, a consagração das papinhas orgânicas se deveu a marcas novatas – Plum Organics, Ella’s Kitchen, Earth’s Best, Baby Gourmet. Foram startups que apostaram não somente em alimentos diferentes, mas em conceitos diferentes.

Provavelmente por dificuldades em adquirir potes de vidro e outras soluções de embalagem que exigem maiores escalas para se tornar viáveis, aquelas empresas lançaram suas receitas orgânicas em stand-up pouches. Deu certo de tal forma que, no exterior, a embalagem flexível já é um elemento emblemático das papinhas orgânicas.

Conforme mostrado pela reportagem de EmbalagemMarca, a fornecedora que mais se beneficiou desse fenômeno, a italiana Gualapack, decidiu colocar suas soluções ao alcance de empresas brasileiras, por meio da Tradbor. Se provedores como ela se acertarem com redes de papinhas dispostas a ousar, ingressando no varejo, é provável que algo parecido ao que ocorreu na esfera internacional se repita por aqui – para incômodo das indústrias de grande porte, já bem crescidinhas. Aguardemos.

Guilherme Kamio é jornalista, editor executivo da revista EmbalagemMarca

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