Revista Embalagem Marca
Publicado em 15/03/2012 15h03

Na feira, motivos para reflexão

Por Wilson Palhares, editor de EmbalagemMarca

Sinais de que a indústria nacional vem continuamente perdendo espaço para estrangeiras, principalmente asiáticas, não só no mercado internacional, mas também dentro do Brasil, surgem de todos os lados. O noticiário sobre desindustrialização, com centimetragem crescente e garantida no dia a dia, é enfático, estimula promessas de (re)ação por parte do governo e desanima quem espera um futuro melhor para o País. Todavia, mais entristecedora que palavras é a constatação material, viva e dolorida do encolhimento de nossa indústria.

Uma visita à 3ª Semana Internacional de Máquinas e Equipamentos para Embalagem e Impressão, iniciada segunda-feira última e que irá até amanhã, no Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi, em São Paulo, é um bom estímulo à reflexão – além de, espera-se, oportunidade de fechamentos de negócios, como prometem os organizadores daquela feira, que reúne três eventos (Brasilpack, Flexo Latino America 2012 e Expográfica).

Compare-se apenas o que ocorre na Brasilpack Feira Internacional da Embalagem, o evento de maior dimensão entre os três. Excetuando-se entidades corporativas, revistas e prestadores de serviços, das 76 fabricantes ou representantes de indústrias expositoras, mais de um terço (28) dos estandes eram de fornecedores estrangeiros. Como observou um visitante, “estão nadando de braçada”, alicerçados que se apresentam em preços irresistíveis.

Nada de xenofobia, que globalização é isso. Como defender-se é outra coisa, cuja definição e cuja estratégia cabem aos diferentes setores organizados da economia definir, defender e reivindicar. Lamentável também foi a possibilidade de notar que, com pouquíssimas exceções, esses assim chamados setores organizados, afora o inócuo “apoio institucional” de sempre (seus logotipos no material de divulgação e uma ou outra mensagem oca no catálogo), não se fizeram representar efetivamente no Anhembi.

O motivo talvez seja que a feira em questão não lhes pareça, como talvez não pareça às empresas, tão atraente quanto já foi. A verdade é que, no modelo hoje predominante nesse tipo de mídia, a disputa por clientes se inclina cada vez mais para a guerra de preços – na qual os concorrentes estrangeiros, já ficou mais do que claro, são imbatíveis. Além de simplesmente expor mercadorias, seria o caso de aprofundar análises, pesquisas, debates? Entre tantos motivos para reflexão, cabe incluir o de que está na hora de as feiras de negócios começarem a se repensar.

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