Conteúdo adicional da entrevista com EDSON SCHROT DA SILVA, da MSE CONSULTING, publicada em EmbalagemMarca nº 143 (julho de 2011).
O que é necessário para que o caminho da inovação compartilhada seja trilhado de modo a que o País se beneficie sem correr riscos de apropriação de desenvolvimentos por empresas/países a ele associados?
Temos a lei de propriedade intelectual, que tem barreiras interessantes para essa realidade. É possível “amarrar” confidencialidade e exclusividade desde o momento do contrato. Essa é a primeira grande garantia de boas parcerias de inovação. A segunda é o depósito da patente. A partir do momento em que os testes são iniciados e em que começa a haver uma especificação técnica adequada sobre a inovação, sem dúvida nenhuma o depósito da patente é o que vai garantir segurança na capacidade de inovação. Diria, então, que esses dois instrumentos – patentes e contratos – são os mais relevantes e os mais aplicados. Mas como há pouco conhecimento e muita burocracia para depósito de patentes e para realização de contratos de transferência de tecnologia e parcerias com tranqüilidade, o empresariado brasileiro acaba ficando distante disso.
As políticas pró-inovação do governo brasileiro são satisfatórias? Estão muito aquém das de outros países?
Eu gosto do Plano de Desenvolvimento Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Quando falamos de empresas de tecnologia, estamos nos referindo a recursos não reembolsáveis para pesquisa científica, capital-semente para pré-incubação e incubação de empresas nascentes, de venture capital para empresas emergentes, modalidade que a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) incentiva. Há também diversas linhas de crédito, parcerias que são incentivadas pelo governo por meio de editais e a Lei do Bem – que tem um alcance menor do que equivalentes de outros países. Mas diria que a política de incentivo à inovação no País é satisfatória. O problema é que existe pouca utilização e pouca divulgação dessas políticas e acho que há muita dificuldade de se trocar experiência entre empresariado e centros de pesquisas tecnológicas. Em termos de política, há fomentos, mas eles não são ainda bem conhecidos pelo empresariado. Aí está um problema a se resolver.
Seria, talvez, algo inerente a esse tipo de mecanismo, ou seja, o governo lança mecanismos de fomento e incentivo, mas ao mesmo tempo não os divulga para não atrair muita gente para captá-los?
Não, eu não acredito que o governo tenha essa visão. Contudo, em todo governo prevalecem duas visões: a desenvolvimentista e a financista. Então quando se fala de incentivos fiscais, há essa dualidade. Mas deve prevalecer uma pesquisa de seguir critérios internacionais, uma política consistente de incentivo na inovação e, quando se percebe uma não divulgação por parte dos entes públicos, é porque de fato há uma letargia e uma falha na comunicação entre o Governo Federal e empresariado nacional. Acho que isso é o que acontece. É ruim, e acho que deveria ser trabalhado com maior intensidade por órgãos como Fiesp, Fierj e outras associações de classe. Não diria que é uma realidade de falta de mecanismos públicos de incentivo à inovação e sim um problema de comunicação apropriada. E isso acontece até porque o Brasil demorou muito para esse tipo de política. E, antes de 2005, políticas desse tipo foram sempre desastrosas. Os empresários que foram buscar essa realidade só tiveram dissabores. Então, o que acontece também é que há um ceticismo por parte dos empresários em relação a incentivos para a inovação que partam do governo. Eles acham que vai ser tão burocrático quanto era até seis anos atrás, e não é mais assim.
É possível transformar um sujeito que não é criativo, um funcionário que geralmente não tem idéias em alguém inovador?
Sem dúvida. A inovação parte de uma nova visão, de uma nova perspectiva sobre a realidade. O ser humano é, por si só, fonte de mudanças, nós buscamos as mudanças. Então temos que acreditar que qualquer um de nós seja capaz de fazer a inovação. Lembro-me de uma historinha comum, no meio da inovação, sobre vários pesquisadores se debruçando sobre uma embalagem de pasta de dente, perguntando-se: “Puxa, como podemos fazer para o consumidor comprar mais pasta de dente?”. Passa uma faxineira no meio dessa reunião e sugere: “Por que vocês não abrem mais a tampa e deixam-na maior?”. Isso é espírito inovador. E ele está em todos. A questão é ter a disciplina de transformar ideias em negócio – ou deixar na mão de quem tem técnica. Mas as ideias podem ser fomentadas de uma forma muito lúdica. Assim, inovações florescem de uma forma intensa dentro de uma organização a ponto de todas as pessoas sentirem-se motivadas a isso.










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Reportagem de capa: Embalagens para produtos eletrônicos